“Hoje o céu está mais azul,
eu sinto…
Fecho os olhos.
Mesmo assim eu sinto…
O meu corpo estremeceu.
Não consigo adormecer.

Nem o tempo vai chegar
Para dizer o quanto eu sinto
Você longe de mim.
É uma espécie de dor…”

Rosa, Rodrigo Leão

a avó mila morreu. estou longe e não vou mudar nada agora, ninguém muda o meu buraco no estômago, que eu sabia já meio amputado quando entrei no avião para vir para aqui.
tenho pavor a funerais, a ficar com as imagens estáticas gravadas por cima das que eu já tinha. mas aqui nem se aplica. quando o estado de degradação é lento e doloroso, quem é que consegue manter as memórias intactas?

por causa dela escrevo tanto. não em blogs, mas em notas, cadernos, cartas, folhas. por causa dela não consigo deitar nada fora – como se todos os pedaços de dias fossem uma memória que um dia, quando os genes tomarem conta do rumo, me vão ajudar a lembrar qualquer coisa.

porque se nos esquecermos é como se não tivesse existido. e é disso que eu tenho mais medo.


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