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over the rainbow

Sunday, April 1st, 2007

fly me to the moon

now that the university is over and i hop intermitently between several places, without a regular routine, time has gained a strange anti-dimension. march was a non-existent month, i had trouble remembering the days of the week, what month it was even.

but with shanghai’s deadline on sight already, things seem to be fitting into place and more, i start paying more attention to things i know i probably won’t see in a while…
… lisboa, the light reflected on the buildings and on the imense water of the tejo river. lisboa makes the usual things sound special, the bica (coffee) and the pastel de belém (little custard cream tarts) with cinnamon…
ermesinde, where i gathered a few friends for a sort of farewell dinner on the usual café, whose “francesinhas” (this dish i won’t even try to translate) i will surely miss. not as much as i will miss the smiles of the people around that table.


… celorico de basto, what we call “our village“, the place where most of my family lives. spring is in full swing now, trees and fields have a bright green shade, there are birds singing, the church bell rings.

… and braga, in my own house. the grass, the people on the streets, the flavours and scents on the cafés we’ve been to a thousand times before.

it’s hard to wrap up memories, but everything is more real and vivid on the eve of leaving. having been away of portugal for a while in the past, i realise how ridiculous it can be to say bye-bye, specially on this “online” era. life goes on, we soon forget the tears in the airport, months pass by and before we know it, we’re back to hug everybody, only to feel the eagerness to leave again, a week after that. it’s a cycle, hardwired to our “explorer minds” and difficult to explain.
my grandma says i’ve lost the “fear”, and now, nothing will hold me. i feel she’s right.

porque sim.

Friday, February 9th, 2007

há várias coisas que me “arranham”, neste referendo sobre a despenalização do aborto. o post é grande, aviso. vamos por partes.

* do princípio: nenhum contraceptivo é perfeito. a taxa típica de “falha” de quem toma a pílula, por exemplo, é de 5%, e no caso do preservativo (masculino), pode ir até aos 15%. (da wikipedia)

no caso da pílula, isso quer dizer que 1 em cada 20 vezes podem resultar em gravidez.
nem toda a gente engravida por desconhecimento, estupidez. há acidentes e acidentes.

* mais: eu não fumo, não bebo álcool, ainda não pago impostos, mas hei-de pagar em breve.
com o dinheiro dos meus impostos, o estado há-de tratar pessoas que fumaram a vida toda e ganharam com isso um cancro do pulmão. ou financiar estádios de futebol que eu não pedi.
peguemos no caso dos fumadores, já que o acto de fumar é uma escolha consciente e pessoal, que os afecta a eles, e aos fumadores passivos que os rodeiam.

eu pergunto, porque é que está tanta gente preocupada com o dinheiro que o estado vai gastar a fazer abortos, quando tanto se gasta com a curar os fumadores doentes? será que a solução para acabar com o fumo e o tabaco é mandar para a prisão quem aparecer no hospital com um cancro do pulmão…?

* as crianças têm o direito de ser desejadas. é o que mais me angustia, de todas as razões que se esgrimem, o querer que se criem pais por acidente, ou contra vontade, ou fazer crer que toda a gente pode ser mãe/pai. não pode, não devia! uma criança merece o melhor, merece que os pais estejam psicologicamente, emocionalmente, financeiramente preparados para acompanhar o seu crescimento. precisa de estabilidade, precisa de um lar. precisa de responsabilidade, segurança.
não se nasce e “depois logo se vê”.

* e as mulheres que já têm filhos, as mães que engravidam novamente e não se sentem capazes de criar mais um(a)? saberá alguém melhor do que uma mãe ou um pai o que é preciso para educar uma criança?

com que moral as deixamos fazer abortos à mercê de parteiras “habilidosas”, de comprimidos para as úlceras, de perfurações do útero e afins? deixamos que uma mãe morra e deixe filhos órfãos, que uma família se desintegre, para proteger um feto de 10 semanas?

* a propósito, “O feto de 10 semanas não tem dor, não tem vontade, não tem vigília, não tem consciência. As primeiras ligações ao córtex cerebral em formação, acontecem entre as 23 e as 30 semanas. Mas anatomia é diferente de função. A evidência mais precoce de actividade cortical é entre as 29 e as 30 semanas.” (daqui)

*
“A Organização Mundial de Saúde defende que: “Os governos têm de avaliar o impacto dos abortos inseguros, reduzir a necessidade de abortar e proporcionar serviços de planeamento familiar alargados e de qualidade, deverão enquadrar as leis e políticas sobre o aborto tendo por base um compromisso com a saúde das mulheres e com o seu bem-estar e não com base nos códigos criminais e em medidas punitivas. (…) As mulheres que desejam por termo à gravidez deverão ter um pronto acesso a informação fidedigna, aconselhamento não-directivo e em paralelo, devem ser prestados serviços para a prevenção de uma gravidez indesejada assim como a resolução e reposta face a possíveis complicações” (a partir de: Unsafe abortion: Global and regional estimates incidence of a mortality due to unsafe abortion with a listing of available country data – Third edition, 1997 – Ref. WHO/RHT/MSM/97.16)”, daqui.

* e por último: ninguém defende o aborto, não é isso que portugal vai votar no domingo.
a pergunta é, se uma mulher decide interromper a gravidez, qual é a resposta que este país tem para ela?
uma visita a espanha, ou a insegurança e as complicações de um aborto feito em casa e uma estadia na prisão. a discriminação, a humilhação, o marginalizar, a clandestinidade e o apontar do dedo.
em vez do acompanhamento médico e psicológico na sua decisão.

* pronto: eu voto sim. já chega.

3, 6, 9, 12, 3.

Sunday, December 31st, 2006

this new years, i’ll try to photograph what i’m doing at 3pm, 6pm, 9pm, 12pm and 3am. a sort of “a day in the life of”.
we’ll be staying at home, i believe, so you won’t get any grand party pictures, but we’ll see. this entry will be updated around those times.

if you can, do it too, and then link back to binary bonsai (the author of the idea). let’s see what people come up with. :)

here’s the first one. 3 o’clock, joão was showing me how to control the tv+dvd using his qtek. troy is playing on tv.

3 o'clock

at 6pm, mom and i are cooking “mexidos”, a typical portuguese dessert, for those days around xmas. look at the mess in the kitchen :P

6

at 9, i was on the phone with my nanny, who has a terrible cold. :)

9 o'clock

well, fireworks and champagne at midnight, naturally… happy 2007. and i guess that will be it, at 3 i think i might be sleeping… :)

midnight :)

há palavras que ficam, muito para além do azul.

Monday, November 27th, 2006

Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas, que esperam por nós
E outras frágeis, que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens, palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,

As mãos e as paredes de Elsinore

E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis à boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além do azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.

Mário Cesariny (9 de Agosto de 1923 - 26 de Novembro de 2006)
(in english)

bologna

Tuesday, November 14th, 2006

the portuguese students are angry with this government for finally implementing the bologna treaty. it seems to me that few people are seeing the big picture here.

it’s the little things

Thursday, November 2nd, 2006

joão tordo, em entrevista à lecool desta semana. jornalista, nómada, escritor, descreve com uma eficácia extraordinária o que eu senti ao voltar. não é pedantismo, não é vaidade - mas julgo que é qualquer coisa que só se percebe quando se vive fora dos muros deste país. qualquer coisa que nos muda.
fica um excerto, o resto podem ler aqui.

- Tinhas saudades de Lisboa quando estavas lá?
Tinha saudades de algumas coisas, uma certa tranquilidade, que não se encontra no bulício diário de Londres, Brooklyn ou Manhattan. Mas temia o dia em que tivesse de regressar. Por acaso, foi isso mesmo que aconteceu, tive de regressar porque o meu visto de estudante tinha terminado e era obrigado a deixar os Estados Unidos. O que encontrei em Lisboa deixou-me por um lado contente e por outro apreensivo. Muitas coisas tinham mudado desde que eu partira, e pareceu-me uma cidade mais vibrante, mais internacional, mas muitas coisas eram o mesmo, uma repetição nauseante de tudo o que eu nunca gostei na minha adolescência e idade adulta. Se tinha saudades? Tinha, mas matei-as depressa.

- Quando voltaste, tomaste mais atenção a esta cidade?
Sim. Olho-a de outro ponto de vista, acho eu. Quem sempre viveu aqui não tem distância (não pode ter) e não tem medidas de comparação. Não é o mesmo ir viajar durante duas semanas ou estar noutro lugar durante dois anos. Não é o lugar que importa em si, é a ausência daquele que deixámos, a transformação de um espaço físico em memórias, nas quais as coisas se distorcem e amplificam. Fica-se com uma noção mais romântica dos sítios e, quando se regressa a eles, já não se perde essa magia. Por isso presto mais atenção aos pormenores, a uma esquina em particular, uma janela, uma rapariga a passar na rua.

:)

Wednesday, July 5th, 2006

o mano.


as saudades que eu já tinha,
da minha alegre casinha
tão modesta quanto eu…

e saudades da mamã, do papá, do mano com pinta de escalador. :)



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