Categories
just life music

hazy cosmic jive

Didnt know what time it was the lights were low
I leaned back on my radio
Some cat was layin down some rock n roll lotta soul, he said
Then the loud sound did seem to fade
Came back like a slow voice on a wave of phase
That weren’t no d.j. that was hazy cosmic jive

There’s a starman waiting in the sky
He’d like to come and meet us
But he thinks he’d blow our minds

There’s a starman waiting in the sky
He’s told us not to blow it
Cause he knows its all worthwhile

He told me:
Let the children lose it
Let the children use it
Let all the children boogie


starman, david bowie on the itunes.

it’s all worthwhile, oh yes it is. :)

ps – sing along, look for a starman in the sky and wave your heads to the music.

Categories
just life


“Hoje o céu está mais azul,
eu sinto…
Fecho os olhos.
Mesmo assim eu sinto…
O meu corpo estremeceu.
Não consigo adormecer.

Nem o tempo vai chegar
Para dizer o quanto eu sinto
Você longe de mim.
É uma espécie de dor…”

Rosa, Rodrigo Leão

a avó mila morreu. estou longe e não vou mudar nada agora, ninguém muda o meu buraco no estômago, que eu sabia já meio amputado quando entrei no avião para vir para aqui.
tenho pavor a funerais, a ficar com as imagens estáticas gravadas por cima das que eu já tinha. mas aqui nem se aplica. quando o estado de degradação é lento e doloroso, quem é que consegue manter as memórias intactas?

por causa dela escrevo tanto. não em blogs, mas em notas, cadernos, cartas, folhas. por causa dela não consigo deitar nada fora – como se todos os pedaços de dias fossem uma memória que um dia, quando os genes tomarem conta do rumo, me vão ajudar a lembrar qualquer coisa.

porque se nos esquecermos é como se não tivesse existido. e é disso que eu tenho mais medo.

Categories
just life

já não há cartas de amor como antigamente.

Minha querida Felismina,

Bem sabes como sofre o coração deste pobre e velho marinheiro, por não conhecer a correspondência do teu amor. O amor… Felismina… o amor quando nos toca é como se tocasse um sino… um hino… sei lá! o trino de um alegre passarinho…

Felismina, eu quero voar para o teu ninho… (ah, esta tá boa, “voar para o teu ninho”!) e fazer o pino… (“fazer o pino”?!) Pronto, faço o pino! Ah, Felismina, as coisas a que o amor nos sujeita… Por ti eu fazia o pino… já não sei, que desatino!

Mas que hei-de eu fazer, Felismina? O amor é um furacão, desgovernando a minha embarcação…

Felismina, abranda a tua tempestade e manda-me uma brisazinha para atiçar as brasas em que vive o meu coração.

Pires.

(d’Os amigos do Gaspar)

que ataque de saudosimo inopinado! :D

Categories
in the netherlands just life

do estado deste quarto (e deste blog)

tenho o quarto em escombros. de tecido, de meias pelo chão. de restos de música, recibos de visitas curtas, carimbos, flores a murchar, postais, café, linhas de esquemas e colunas de valores bem alinhados, livros, pacotes de sumo lavados (para um armário de pequenas portas), a revista da cidade, as canetas preferidas da stabilo, a caixa das aspirinas das dores de cabeça contínuas e desgastantes dos últimos dias. a música espanhola animada que passa pelas paredes do quarto vizinho, ou as discussões apaixonadas, do outro lado, que às vezes se sentam no meu colo, em soluços, e me lembram que ainda tenho muito para aprender.
algumas visitas marcadas, as reuniões em letras grandes, para não me esquecer mesmo, as calças da chuva a secar.

mas tenho tido ideias. escrevinho, desenho, desarrumo um pouco mais. todos os dias me vêm aos olhos pedaços de projectos, de coisas que quero misturar e que acabam misturadas em cima da minha minuscula mesa, pelo “sofá” improvisado. em cima e por baixo de outras coisas, esquecidas, re-descobertas.
sempre para dar a alguém, sempre com gente em mente.
imponho a mim mesma deadlines, mas não era preciso: quando se abre a portinha das coisas que gosto, elas acabam depressa demais.

andamos assim.

Categories
just life photography

the ode to dad.

(i saw rita made a post about her dad, and i suddenly felt like doing something similar here too. thanks for the idea :) )

my family was always a different one.
mom worked a lot. more than 30 hours in a row, at least twice a week (and amazingly, she still does). when she was home, we weren’t allowed to make any noise – a rule which later was responsible for us listening to music much lower than most people, i think.

so, anyway, how did me and my brother end up normal healthy kids?
yes, you might have guessed it, the trick was my dad. he woke up early, fed, washed, drove us to school, went to the teachers meetings, took us to the hairdresser and the dentist, invented new foods (pasta with sausages was his and our favourite!) etc etc etc.
on top of it all, he still had a semi-normal job with some degree of liberty and he helped my mom with the housework. wait, i know what you are thinking – “helped with the housework” is an ironic expression that is often a sinonym of joyfully washing the dishes once a week.
well, that wasn’t the case at all. the proof is i’ve never seen my mom ironing any single piece of clothing or vaccum cleaning.
that’s just the way it is.

dad.

< we've had our ups and downs, but some people are special, i guess. my most treasured memories are from a period in which my mom was finishing some sort of degree or post-graduation and she had to study a lot. my dad would take us two to porto on the train with a kilo of rice and we'd spend the afternoon there, feeding the pidgeons. on the picture you can see him and nani, my little cousin – who we took there a few years ago, just for the fun of doing it once again. we still love it. and i love you dad. :) ps – paizito. já sei que não percebes o que eu escrevi ali em cima, mas não tem mal. já te disse tudo quando te liguei hoje. resumindo, gosto muito de ti. continua a fazer massa com salsichas e tudo, que a gente adora. beijocas.