archive for the ‘portugal’ category


“Porque não me limitaram a entrada na universidade…

Thursday, March 6th, 2008

… se sabiam, à partida, que não havia trabalho para mim?” Volta e meia, a pergunta martela na cabeça de Cláudia Baptista, 29 anos, licenciada em Jornalismo, a trabalhar como técnica auxiliar de educação. Durante quase dois anos, foi estagiária numa rádio nacional.
Começou por fazer um estágio curricular não remunerado, durante três meses, foi convidada a prolongá-lo por outros três. Aceitou. «Durante seis meses, paguei para estagiar», recorda. E depois? «Depois, ofereceram-me ficar a troco de 300 euros, a recibo verde.»
Vivia em casa dos pais, o dinheiro dava para pagar transportes e alimentação. Durante os 13 meses de isenção da segurança social aguentou. O amor à profissão falou mais alto e os elogios constantes que recebia alimentavam a esperança de um contrato. «Trabalhava 15 a 16 horas por dia, editava peças, sonorizava. Tinha responsabilidades de um jornalista, mas, no papel, não deixava de ser estagiária», resume.
Acabada a isenção, «dei ouvidos ao meu orgulho pessoal e profissional que se começava a construir». Pediu que lhe pagassem o salário mínimo e a Caixa. A resposta foi negativa. Cláudia saiu, outros estagiários continuaram. Todos os anos, chegam mais.
À distância de seis anos, Cláudia não consegue criticar apenas a estação onde trabalhou: «Há uma concordância do Estado, instituições de educação, empregadores e sindicatos: todos sabem que esta rotatividade de estagiários existe, mas ninguém faz nada para mudar porque a situação interessa a muita gente.» Não se envergonha de dizer que ainda hoje tem apoio psicológico e deixa o aviso: «Já começámos a gerar uma geração de frustrados.»

e

Apesar da crueza dos relatos, o discurso oficial é positivo. O presidente do IEFP, Francisco Madelino, esclarece que «os jovens licenciados são os que mais rapidamente obtêm trabalho». Demoram oito meses, em média, enquanto os não licenciados levam entre 12 e 14 meses.

da reportagem geração em saldo, da revista visão.

apetece-me comentar (ler puxar orelhas e gritar “acordem para a vida!”), mas é bater no ceguinho. e está-se tão bem em shanghai…

d. manuel II, o patriota

Saturday, January 26th, 2008

depois do último post, procuro por “portugal” na galeria. dois insólitos resultados: uma infantaria em estranhos preparos (mas tão portuguesa) e uma foto do rei d. manuel II.

o último rei de portugal. eis que (mesmo sem ser monárquica) ver um rei português assim, a preto e branco, me deixa quase sem palavras face ao realismo e à próximidade temporal.

nas pinturas a óleo ou nos painéis de azulejos que nos habituamos a associar à nossa monarquia, tudo ganha uma nuvem de misticismo, de tempos longínquos… numa foto não. um rei nosso a meio passo, visto assim sem poses, no flickr.

[english summary: the post is about the last king of portugal, which i found in a flickr photo from the library of commons - and how unusal it is for me to see a portuguese kind on a photo. portugal’s monarchy ended in 1910].

Thursday, November 22nd, 2007

não sei o que é mais triste. se a precariedade de um país a recibos verdes, se o deixar-andar de quem está nessa situação e não tem coragem de lá sair.

olhem para nós. estamos aqui há 7 meses. com contractos de trabalho. com impostos pagos. com o almoço pago. com seguro de saúde. com férias, bónus e regalias. onde somos apreciados pelo trabalho que fazemos. a ganhar suficientemente bem para pensarmos em investir noutras coisas, em viajar, em virar freelancers. (o mindthisgap tem mais exemplos como o nosso).

não, nada disto foi sorte. foram escolhas construídas.

eu percebo que nalguns casos estes cenários não são possíveis. há família, há a idade, há profissões difíceis de encaixar noutros contextos.

mas e nos outros casos, como os das pessoas da minha idade, recém-licenciadas, que se sujeitam assim, durante anos? porque é que não saem daí?

expliquem-me lá esse amor à pátria que vos atraiçoa, que eu sinceramente, já não percebo.

the piano has been drinking.

Thursday, September 6th, 2007

d. on vismarkt

 

you know love
causes such misery and pain
i guess i’ll never be the same
since i fell for you

oh i guess i’ll never see the light
i get the blues most everynight
since i felt for you

“I used to know this girl named Suzy Montelongo. And her brother’s name was Joe Montelongo. Joe always wanted to kill me. He sang in a band called the Rodbenders. Suzy Montelongo used to wear these angora sweaters. I’m crazy about angora sweaters. I guess it’s kind of a hang-up of mine. She had angora socks, and angora shoes. I believe she was originally *from* Angora. I don’t know where she is anymore, but every time I see an angora sweater, I think, maybe, *inside* will be Suzy Montelongo. Eh-he-he…”

mr. tom waits, in repeat mode.

boulder -> portugal -> china -> portugal

Wednesday, September 5th, 2007

because i’m too anxious to talk about a certain apartment that may or may not be our next home (and for which i have a serious case of love at first sight), i’m going to digress and link an interview on público about (my) crocs. i’ve been a happy crocs’s walker for a year now, and i cannot recommend them enough :)

25!

Sunday, June 17th, 2007

i’m 25 today.:)

ps - obrigado a todos pelos votos de parabéns! valem sorrisos quando se está tão longe dos amigos e da família. :)

over the rainbow

Sunday, April 1st, 2007

fly me to the moon

now that the university is over and i hop intermitently between several places, without a regular routine, time has gained a strange anti-dimension. march was a non-existent month, i had trouble remembering the days of the week, what month it was even.

but with shanghai’s deadline on sight already, things seem to be fitting into place and more, i start paying more attention to things i know i probably won’t see in a while…
… lisboa, the light reflected on the buildings and on the imense water of the tejo river. lisboa makes the usual things sound special, the bica (coffee) and the pastel de belém (little custard cream tarts) with cinnamon…
ermesinde, where i gathered a few friends for a sort of farewell dinner on the usual café, whose “francesinhas” (this dish i won’t even try to translate) i will surely miss. not as much as i will miss the smiles of the people around that table.


… celorico de basto, what we call “our village“, the place where most of my family lives. spring is in full swing now, trees and fields have a bright green shade, there are birds singing, the church bell rings.

… and braga, in my own house. the grass, the people on the streets, the flavours and scents on the cafés we’ve been to a thousand times before.

it’s hard to wrap up memories, but everything is more real and vivid on the eve of leaving. having been away of portugal for a while in the past, i realise how ridiculous it can be to say bye-bye, specially on this “online” era. life goes on, we soon forget the tears in the airport, months pass by and before we know it, we’re back to hug everybody, only to feel the eagerness to leave again, a week after that. it’s a cycle, hardwired to our “explorer minds” and difficult to explain.
my grandma says i’ve lost the “fear”, and now, nothing will hold me. i feel she’s right.



SparkStats

SparkStats Legend